Na Cozinha da STP #1 – Hop Mayo Lover Burger

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IPA e Hambúrguer é uma combinação que todo mundo gosta, a gordura do hambúrguer é balanceada pelo amargor da cerveja formando uma estrutura harmônica! Agora imagina se você fizer um hambúrguer totalmente pensado para harmonizar com uma Imperial IPA!!! É o que fizemos no primeiro Na Cozinha da STP!!!

Vamos fazer uma maionese de Hop Lover que irá harmonizar bem com o hambúrguer de picanha além disso, usamos queijo pecorino fresco, que é uma ótima harmonização com IPA, já que é rico em gordura e seus sabores selvagens casam bem com os lúpulos cítricos!

Então vamos deixar de conversa e fazer essa receita!

A maionese

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Os ingredientes:

  1. 1 Garrafa de Hop Lover Imperial IPA
  2. 1 Colher de café de Pimenta do Reino Branca
  3. 1 Colher de chá de Alecrim
  4. 1 xícara de chá de Manjericão
  5. 1 Cebola Roxa grande picada
  6. 1 Prato fundo de Rúcula
  7. 1 pote de Maionese, nós usamos Heinz, mas use a que preferir!

Como Fazer:

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  1. Coloque a cebola roxa, alecrim, pimenta do reino branca e toda a garrafa de Hop Lover Imperial IPA em uma panela e leve a fervura, mantenha por cerca de 40 minutos até que o líquido reduza e fique apenas a cebola caramelizada com a cerveja. Reserve.
  2. Bata o manjericão e a rúcula no mixer, ou pique em pedaços bem finos. Mantenhas os talos, pois eles dão um picante interessante para a maionese.
  3. Coloque a maionese, rúcula e manjericão no liquidificador e bata até ficar homogêneo.
  4. adicione a redução de cebola e temperos com Hop Lover Imperial IPA até ficar homogêneo.
  5. Pronto a maionese está pronta! É só colocar em um pote limpo!!!

O Hambúrguer 

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Hambúrguer pra nós é carne e sal grosso, o sabor da carne por si só já é muito bom, portanto não gostamos de temperar o hambúrguer, mas essa é uma escolha de cada um! Portanto fique à vontade para inventar temperos para seu hambúrguer! O importante é escolher uma carne com boa quantidade de gordura (picanha e fraldinha são boas opções), ou então faça uma mistura com bacon ou linguiça moída.

Para o hambúrguer  ficar bem macio e suculento e importante que a carne tenha sido moída a pouco tempo e não use forma, ou se usar não aperte muito a carne, deixa ela mais solta para ficar bem suculento! Coloque na chapa por 5 minutos de cada lado para ficar ao ponto, quando mudar o lado do hambúrguer coloca uma fatia caprichada de pecorino fresco em cima e deixe derreter!

Agora coloque do pão com a Hop Mayo Lover e manda bala!

História: leis e cerveja

Leis e bebidas sempre andaram juntas, a famosa Reinheitsgebot de 1516 é o caso mais famoso de leis influenciando o mercado de cervejas ao redor do mundo.  Restrições quanto aos ingredientes, teor alcoólico, taxação sobre insumos e proibição total de bebidas alcoólicas são alguns exemplos de leis que influenciaram o mercado da cerveja ao longo do mundo.

Olhando para tantas leis é possível pensar que elas podem ter exercido alguma influência sobre os tipos de cervejas produzidos nos locais em que elas foram aplicadas, sendo assim, vamos analisar alguns casos e tentar entender se isso ocorreu e como ocorreu.

Reinheitsgebot – Alemanha

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A famosa lei de pureza alemã foi instituida em 1516 e não pretendo aqui tecer minha opinião sobre essa lei, sua vigência ainda hoje e sua história (posts bem elaborados sobre essa tema foram escritos pelo Marcio Beck do Blog 700 cervejas, vale a pena conferir), mas sim entender como ele influenciou a cerveja produzida na Alemanha.

Em 23 de abril de 1516 Guilherme IV da Baviera instituiu a famosa lei de pureza alemã, utilizada até hoje como sinônimo de qualidade por algumas cervejarias, nessa lei ele instituiu que apenas 3 ingredientes seriam aceitos na produção de cerveja: água, malte e lúpulo. Sendo assim, as cervejarias germânicas adaptaram suas receitas para se enquadrarem nessa exigência.

Com essa padronização as cervejas da escola alemã foram se delineando, cervejas deliciosas, porém que só podem ser produzidas dentro desses três ingredientes, sem adição de especiarias, açúcares, cereais não maltados  e etc. O resultado disso foram as deliciosas cervejas alemãs , que apesar de “limitadas” por esses ingredientes conseguiram utilizar de toda a qualidade técnica para produzir aromas e sabores diferentes.

“Malt Tax” – Inglaterra

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Ingleses e franceses nunca se deram muito bem durante a história, no século XV houve a guerra dos 100 anos e nos séculos seguintes os conflitos continuaram existindo entre os dois países. No século XVIII não foi diferente, em 1700 os ingleses meteram o bedelho na guerra de sucessão espanhola contra a unificação das coroas com a França, Em 1755 houve a guerra colonial franco-inglesa, mais tarde em 1778 foi a vez da França meter o bedelho na guerra de indepedência norte americana apoiando a independência, em 1793 os britânicos faziam parte da primeira coligação contra a França, e em 1798 la estava a Inglaterra novamente fazendo parte da segunda coligação contra os franceses. Mas como isso está relacionado com a cerveja?

Cerveja é sociedade, portanto algum efeito houve, na verdade, isso foi uma grande influência sobre as cervejas da escola inglesa. Para manter todo esse esforço bélico a Inglaterra (ou melhor a Grã-Bretanha) precisava de dinheiro e quando um governo precisa de dinheiro os impostos sobem! Em 1697 foi implementado o imposto sobre o malte, ou se preferir the malt tax, que durou até 1880, tempo o bastante para influênciar a forma de se fazer cerveja.

Com a maior taxação sobre o malte, e não sobre o lúpulo, as cervejarias inglesas começaram a produzir cervejas com teor alcoólico menor (você nunca se perguntou por que diabos uma cerveja de 5,2% ABV é rotulada como strong pale ale por uma cervejaria inglesa?) e com maior presença de lúpulo, assim ESB, Ordinary Bitter, Pale Ales e afins começaram a tomar forma. Além disso, a utilização de brown malts (que tinham qualidade inferior e eram mais baratos) aumentou, surgindo assim as porters, que mais tarde seriam o ponto inicial para as Stouts. Portanto podemos dizer que essa lei definitivamente teve influência sobre à escola cervejeira inglesa.

Proibição da venda de destilados – Bélgica

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Alcoolismo é um problema presente em qualquer lugar do mundo, na Bélgica não seria diferente. Tradicionamente a cerveja é a bebida mais consumida pelos belgas, mas em sua maioria também são cervejas de baixo teor alcoólico, sendo que dificilmente vemos um alcoolatra manter seu vício apenas com cerveja, a maior parte das intoxicações acontecem com destilados de teor alcoólico mais elevado.

Em 1919, durante a guerra, o Parlamento belga passou uma lei que proibia a venda de destilados, cervejas com ABV acima de 5% e vinhos acima de 15%. Com o fim da guerra, essa lei foi modificada mantendo-se apenas a proibição sobre os destilados. Essa decisão gerou alguma polêmica, principalmente entre os produtores do Jenever o tradicional destilado belga, mas isso não vem ao caso. O importante é entendermos como isso influenciou a cerveja belga.

Quando destilados são proibidos, qual janela de oportunidade se abre? A resposta é produzir cervejas mais alcoólicas! Apesar de muitos acharem que as dubbel, tripel e Quads belgas serem receitas milenares, a verdade é que elas são invenções mais modernas do que milenares. Na verdade, os monges trapistas começaram a se estabelecer na bélgica fugindo da Revolução francesa e o primeiro monastério produtor de cerveja, Westmalle, foi fundado apenas em 10 de dezembro de 1836. Sendo assim, as cervejas de alto teor alcoólico tipicamente belgas se estabeleceram realmente no século XX, preenchendo parcialmente um nicho de mercado que estava vazio devido a proibição.

18a e 21a emenda – Estados Unidos

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Uma lei também teve muita influência sobre a cerveja nos EUA, mas não sobre a atual fase que o mercado americano se encontra, com cervejarias artesanais pipocando, mas sim sobre o aparecimento de mega coorporações que produzem o mais bebido, e também mais odiado estilo a famosa SAL (Standard American Lager)

No século XIX cerveja já era um negócio local nas terras do Tio Sam, estima-se que entre 1865 e 1915 haviam 2783 cervejarias no país, sendo que bairros como o Brooklyn em Nova York eram conhecidos por serem apinhados de cervejarias de pequeno porte.

Porém, em 16 de janeiro de 1920 veio a décima oitava emenda que proibia o consumo e comercialização de álcool nos EUA. O efeito direto da proibição foi o fechamento dessas cervejarias e o surgimento de uma máfia poderosa baseada na venda de bebidas.

Em 5 de dezembro de 1933, a décima oitava emenda foi retirada de vigor pela vigésima primeira emenda. Dizem que uma sirene tocou em San Franscisco, balsas apinhadas de caminhões carregados com bebidas alcoólicas entraram na cidade e a população foi pras ruas encher a lata e comemorar a “desproibição”, e foi a 21a emenda que teve o grande efeito sobre a cerveja. Devido ao mercado fechado pela proibição, havia uma vasto mercado sem nenhuma empresa competindo ainda. Muitas cervejarias voltaram a atividade, mas em 1940 apenas 684 cervejarias estavam ativas e com o passar dos anos o mercado foi cada vez mais dominado pelas grandes cervejarias que produziam SAL, sendo que a variedade foi migrando a poucas cervejarias que produziam exatamente o mesmo produto.

Referências

http://pt.wikipedia.org/wiki/Reinheitsgebot

http://en.wikipedia.org/wiki/Reinheitsgebot

http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_tax_resistance#Malt_tax_riots_in_Scotland.2C_1725

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_seca#Nos_Estados_Unidos

http://en.wikipedia.org/wiki/Malt_house#Malt_tax

http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Sucessão_Espanhola

http://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Coligação

http://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Coligação

http://www.1920-30.com/prohibition/prohibition-belgium.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Jenever

http://en.wikipedia.org/wiki/Beer_in_Belgium#Dubbel

http://700cervejas.blogspot.com.br/2013/06/nao-se-faz-mais-cerveja-como-ha-500.html

Tom Acitelli – The Audacity of Hops – The history of America’s Craft Beer Revolution

Stan Hieronymus – Brew Like a Monk